



A Palavra do Senhor...
Um dia, muito antes do mundo começar, no princípio do Tempo, quando a Luz estava a decidir quem deveria entrar no espectro cromático, o Amarelo estava em sarilhos porque o Verde não queria que ele fizesse parte do espectro, não se sabe bem porquê, talvez por alguma espécie de inveja primordial, mas o facto é que isto magoou imenso o Amarelo, que chorou lágrimas amarelas durante várias Eternidades. Ao saber disto, o Azul decidiu actuar e chamou o Verde para uma pequena conversa, fazendo-o ver que se ele e o Amarelo se juntassem, não que o quisessem fazer, mas podia acontecer, fariam eles próprios o seu Verde... Ora o Verde ouviu a conversa do Azul e percebeu o que ele queria dizer. Deixou então que o Amarelo entrasse no espectro. As coisas acabaram por se resolver a contento de todos: o Amarelo ficou com os limões e o Verde ficou com as limas. |
We're all in the gutter... but some of us are looking up your arse... Mais palavras para quê? |
"You are a magnificent cunt", diz o Mayor de NYC a Jodie Foster, ao que ela sorri e agradece, enlevada... Grande frase, de um grande filme: Inside Man, a Spike Lee joint. |
"... e por entre os destroços de uma coisa finita, cinzenta, inconcebível e bifurcada, os braços estendidos de uma esperança metálica esbanjam o encantamento dourado de quem não tem, nem pode ter, nada mais a perder. Toda a vista em redor não assume mais que a existência. Estamos deitados sob o luar de uma visão de gelo e pele. Pass this on. A mensagem até é simples, nós é que já não conseguimos saber se, até que um dia... nada como será o fim e todas as coisas em redor de uma negra admissão de uma culpa que não nos pertence. Porque não podemos ir brincar lá para fora?" Charles Stuart, "The Slickest Metals", 2004 |
Já disse aqui e repito: não há nada mais fascinante do que má música de génios. É por isso que este álbum de Bowie me é tão querido: Tonight, 1985. Seguindo o grande sucesso de "Let's Dance" (1983), este foi o primeiro mau disco da até aí impecável produção de Bowie. E marcou o final de alguma coisa nele, porque a seguir a coisa deixou de correr bem... De qualquer modo, este é o disco de "Loving The Alien", no esplendor dos seus 7.09 minutos, e de "Blue Jean", dois clássicos absolutos na discografia do senhor. 
Confesso que não estava à espera. Este não é o típico blockbuster de Verão para idade mental de 12 anos, com explosões e afins à velocidade da luz e do esquecimento. Quem estiver à espera de um "Matrix" feito em Inglaterra, vai ficar decepcionado. Este é um grande filme de acção, com um look poderoso, um cast acertado e uma história com terríveis e assustadoras resonâncias contemporâneas. Nada mau para os irmão Matrix. Só é pena que não tenham sido eles próprios a realizarem o filme, porque James McTeigue faz à maneira de..., mas sem nunca lá chegar, falhando, de certa forma, o golpe de asa que transportaria o filme para outra dimensão.
Quando ouvi a canção pela rimeira vez fiquei a saber que a teria que ouvir contigo, porque sim, porque era. E tudo graças a esta grande senhora e à sua música, às suas palavras. Primeiro foi o sorriso, depois o arrepio, a evidência, as lágrimas e a certeza. A minha vida era só melancolia Mereces o mundo...
|

| Ouçam quando a música de dança e tudo à sua volta se apropria do resto de todas as músicas e se tranforma em algo de novo e maravilhoso. Ouçam, chama-se Whitey: The Light At The End Of The Tunnel Is A Train... |
As minhas vozes: Sylvian; Bowie; Annie Lennox; Alison Moyet; Maggie Reilly (sim, a do Mike Oldfield, Moonlight Shadow e tudo…); Jon Marsh (The Beloved); Beth Orton; Billie Holliday; Chet Baker; Dusty Springfield… Mas Sylvian… sempre me intrigou imenso saber o porquê do fascínio por ele, por aquela voz… mas falham-me sempre as palavras, ou são de menos, ou são de mais… Vou tentar: a voz de Sylvian acaricia-me a alma, titila-me partes do cérebro que eu não sabia que tinha, faz-me cócegas ao ouvido interno. Transporta-me. Para todo o lado e para lado nenhum. Como eu gosto. O importante é a viagem. Um chá de cerejas negras do Japão. Um entardecer no Rajastão. O toque da seda na pele. O absoluto. O Absoluto. My Darkest Dreaming. Assim. Pode ser? Sinto que poderia escrever para sempre e mesmo assim não conseguiria chegar lá. Por defeito, termino aqui, assim. Sylvian-Japan; Sylvian-Sakamoto; Sylvian-Nine Horses; Sylvian-Sylvian… Ms. Holliday porque traz na voz tudo do mundo. Essa não consigo mesmo lá chegar. O espanto é mudo. O espanto acontece de todas as vezes. E todas as vezes são a primeira vez. E não há nada como a primeira vez. Ms. Holliday. Penso que se pode dividir o mundo em duas metades: quem gosta de Nina Simone e quem gosta de Billie Holliday. Ok. Gosto da Nina Simone. Mas Billie Holliday não se compadece com apenas “gostar”, ela exige algo muito mais além, algo muito mais abrangente e abstracto, uma névoa indefinível… Porque aquela voz tem tudo no mundo lá dentro. |
| Não percebo o porquê de toda esta azáfama com a eleição do presidente da república. Não percebo a república. Não seria muito mais simples se em Belém estivesse um Bragança, como devia ser? O que faz um presidente cá, um Rey faria muito melhor. Já que estamos numa de reivindicações: Baixem o preço dos Monte-Christo, do conhaque Napoleon e dos Jaguars, logo veriam se a vida não era melhor. O Povo não sabe nada! |
Quando era adolescente queria ser um cruzamento entre o Neil Tennant, o Morrissey e o Stephen Fry. Queria escrever como o Bret Easton Ellis, fotografar como o Bruce Weber e fazer filmes como se os irmãos Scott e o James Ivory fossem uma só entidade viável, ao som das composições de Michael Nyman interpretadas por Alexander Balanescu e seu Quartet. Isto num mundo reproduzindo o “Brideshead Revisited” de Waugh. Tenho 34 anos e a barriga do Stephen Fry. |
A minha devoção pelos Pet Shop Boys é imorredoira, perene, o que quiserem. Sou um dos fiéis. E 2006 é ano PSB. Chega em Abril, chama-se “Fundamental” e é produzido por Trevor Horn. Antes vem “Minimal”, batida electro minimal, voz em vocorder a repetir mi-ni-mal… Mal posso esperar! Já agora, se puderem, ouçam o duplo “Back to Mine” que eles fizeram o ano passado e maravilhem-se. São dois CD, um para Neil, outro para Chris, dois mundos, duas abordagens, venha o diabo e escolha. Pessoalmente, o CD 2, o de Chris, é o que mais me diverte, todo ele em anos 80 profundos e negros, mas tudo é possível. |
| Juntem as Client de “City”, os Ladytron de “Light & Magic” e o Tiga de “Sexor”. Que o mundo acabe já amanhã numa explosão de fogo e terá valido a pena. |