quarta-feira, abril 26, 2006

In Utero

O Senhor Marquês faz hoje 35 anos. Huraaaaah! Ou não...?

quinta-feira, abril 20, 2006

A Senha Secreta

Na minha cama. No meu quarto. No duche. Na praia. Na Universidade. No restaurante. No bar. No carro. No jardim. No cinema. No autocarro. No centro comercial. No comboio. Na Zara. No estacionamento. No avião. Em Londres. Em Manchester. Em Paris. Em Amesterdão. Em Roterdão. Em Bolonha. Em Weimar. No Atlântico. No Mediterrâneo. Na Biblioteca. No Tirreno. No McDonald’s. Numa rave. Na igreja. Na tua boca.

Technicolour II

Como uma vibração intelectual, escarrapachado no meio do espectro cromático, o Verde pode ser um problema. È que existem muitos verdes dentro do próprio verde e cada um tem o seu QI diferente. Existe o Verde que nunca deveria ter acontecido, o Verde estúpido, o Verde que está verde de inveja, e existe também o verde assim-assim, um verde quero-lá-saber. Mas algures, dentro do Verde, existe um Verde aqui e ali, um verde com algo para dizer, um verde inteligente, um Verde com alguma integridade. É este o tipo de Verde para mim e para vocês, aquele verde com quem devemos ser vistos, vívido, vibrante, vivendo a sua vida. Deveríamos passar a maior parte das nossas vidas, eu e vocês, com um verde destes, pode ser que algo dele passe para nós…

quarta-feira, abril 19, 2006

Technicolour

Um dia, muito antes do mundo começar, no princípio do Tempo, quando a Luz estava a decidir quem deveria entrar no espectro cromático, o Amarelo estava em sarilhos porque o Verde não queria que ele fizesse parte do espectro, não se sabe bem porquê, talvez por alguma espécie de inveja primordial, mas o facto é que isto magoou imenso o Amarelo, que chorou lágrimas amarelas durante várias Eternidades. Ao saber disto, o Azul decidiu actuar e chamou o Verde para uma pequena conversa, fazendo-o ver que se ele e o Amarelo se juntassem, não que o quisessem fazer, mas podia acontecer, fariam eles próprios o seu Verde... Ora o Verde ouviu a conversa do Azul e percebeu o que ele queria dizer. Deixou então que o Amarelo entrasse no espectro. As coisas acabaram por se resolver a contento de todos: o Amarelo ficou com os limões e o Verde ficou com as limas.


terça-feira, abril 18, 2006

Helix

Penso estar a criar um mito de mim próprio.

Gravastar

We're all in the gutter... but some of us are looking up your arse...
Mais palavras para quê?

Touché

"You are a magnificent cunt", diz o Mayor de NYC a Jodie Foster, ao que ela sorri e agradece, enlevada...
Grande frase, de um grande filme: Inside Man, a Spike Lee joint.

terça-feira, abril 04, 2006

kuri-kuri

Naquele dia em especial as recordações pareceram-me estar profundamente presentes. Olhava em volta e via sombras, lugares, cantos, esquinas reconhecidas e sentidas, como se tudo aquilo se tivesse passado ontem e não há vinte anos. Encostado ao jipe, esse símbolo da minha prosperidade conseguida a preço terrível, com um céu cinzento a ameaçar chuva a qualquer momento, senti-me outra vez jovem, com a carne e o espírito frescos, pronto a tomar o mundo de frente, sem medo. As pessoas à minha volta pareciam flutuar numa meia-luz líquida, impressionista. Este meu mundo de hoje é um lugar estranho, cinzento, vazio de maravilhas e de espantos, tudo aquilo que eu jurava a pés juntos não conseguir viver sem. Mas aqui estava eu, no mesmo sítio, estes anos todos depois daquele Verão em que tudo se passou e em que eu achei, com todas as forças do meu ser, que estava apaixonado e que isso iria definir toda a minha existência daí para a frente. Como estava certo. E como estava errado. Sim, estava apaixonado, sim isso definiu a minha vida. Mas não como eu estava à espera. A minha vida foi definida. Mas pela face contrária. Pela perda, pela admissão de um falhanço absoluto, pela impossibilidade de um regresso aqueles dias na Arcádia. Essa Arcádia que era aqui, neste mesmo local. Do alto do monte, olho e vejo o que já lá não está, um mundo dourado de esperanças, de amores prontos a deflagrarem, de sensações e de toques, de inflamados corações. Tanto tempo. E eu já não sou o mesmo, nem consigo sorrir. Só consigo sentir o metal frio do Range Rover a lembrar-me a distância entre as recordações e a realidade actual. Sei que se entrar naquele enorme palácio, estarei a voltar a um tempo sem tempo, a uma suspensão de partículas sem nome. Sei que estarás lá. E essa contingência faz-me estremecer. Fecho os olhos. depois.

segunda-feira, abril 03, 2006

Fixão

"... e por entre os destroços de uma coisa finita, cinzenta, inconcebível e bifurcada, os braços estendidos de uma esperança metálica esbanjam o encantamento dourado de quem não tem, nem pode ter, nada mais a perder. Toda a vista em redor não assume mais que a existência. Estamos deitados sob o luar de uma visão de gelo e pele. Pass this on. A mensagem até é simples, nós é que já não conseguimos saber se, até que um dia... nada como será o fim e todas as coisas em redor de uma negra admissão de uma culpa que não nos pertence. Porque não podemos ir brincar lá para fora?"
Charles Stuart, "The Slickest Metals", 2004